Primeira recolha de amostras, em 10 pontos de colheita, vai permitir a avaliação da qualidade das massas de água, da fitotoxicidade de águas e sedimentos e, ainda, dos impactos em atividades agrícolas, recreativas e piscatórias.
Está em curso o Estudo de Avaliação de Impactos Ambientais decorrentes da descarga acidental no Rio Lis, levado a cabo pela Universidade de Aveiro. Desde o início do mês de setembro, o Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), reconhecida unidade de investigação daquela universidade incumbida de averiguar as consequências do acidente ocorrido a 12 de agosto na Estação Elevatória B7, encontra-se no terreno a recolher amostras que permitam avaliar a condição das massas de água, em locais estratégicos a montante e jusante da Estação Elevatória B7, incluindo valas hidroagrícolas.
O processo de amostragem da CESAM tem sido acompanhado pela equipa operacional e pelos especialistas do Laboratório da AdCL, que têm prestado a devida assistência científica, beneficiada pelo elevado grau de conhecimento do meio ambiental que está a ser alvo de estudo.
No início deste mês, a equipa do CESAM e equipas da Águas do Centro Litoral estiveram no local, recolhendo amostras em 10 pontos de colheita criteriosamente selecionados ao longo do Rio Lis, que irão permitir a a avaliação da qualidade das massas de água, do ponto de vista do estado ecológico, recorrendo aos grupos de fitobentos e macroinvertebrados bentónicos, com cálculo de índices de qualidade; avaliação da fitotoxicidade de águas e sedimentos; e avaliação dos impactos em atividades agrícolas, recreativas e piscatórias. Os primeiros resultados obtidos indicam que a qualidade da água do rio Lis não apresenta sinais de degradação.
Avaliar o estado de condição das massas de água potencialmente afetadas pela descarga na EEB7 (rio Lis e amostra de valas hidroagrícolas); identificar e quantificar os impactos sobre comunidades aquáticas (fauna piscícola, macroinvertebrados bentónicos, diatomáceas) e qualidade da água e sedimentos; delimitar a área afetada e a extensão temporal dos impactos; e apoiar a definição de medidas de monitorização sequente, recuperação ecológica e compensação de danos ambientais. São estes objetivos a que a investigação se propõe e que servirão de base para o Plano de Avaliação e Minimização de Impactos, que a AdCL pretende implementar com vista ao reforço da resiliência do sistema de saneamento e prevenção de ocorrências futuras.
A missão foi assumida por uma equipa multidisciplinar do CESAM que, no próximo dia 21 de outubro, marcará presença na reunião da Comissão de Acompanhamento da Descarga de Emergência da Estação Elevatória B7 - constituída pela Secretaria de Estado do Ambiente, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), pelas Câmaras Municipais de Leiria e da Marinha Grande, pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), pela Associação de Regantes e Beneficiários do Lis, pelas Juntas de Freguesia da Vieira e de Monte Real/ Carvide e, claro, pela AdCL – para apresentar as ações já realizadas e as conclusões preliminares resultantes do estudo. Estas primeiras conclusões serão, aliás, vertidas para um primeiro relatório divulgado à comissão, no espírito de transparência e articulação que a AdCL tem preservado desde a primeira hora.
Já o relatório final do estudo será reportado no final do ano, sendo posteriormente partilhado com a Comissão de Acompanhamento. Findo o processo de delimitação da área afetada e da respetiva avaliação integrada (biológica, química, ecológica), bem como a identificação de impactos diretos e partes lesadas, será proposto um plano de monitorização sequente e implementadas medidas de remediação e recuperação ecológica.