A Comissão de Acompanhamento, constituída pela Secretaria de Estado do Ambiente, pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), pelas Câmaras Municipais de Leiria e da Marinha Grande, pela Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria (CIMRL), pela Associação de Regantes e Beneficiários do Lis, pelas Juntas de Freguesia da Vieira de Leiria e da União das freguesias de Monte Real e Carvide e pela Águas do Centro Litoral (AdCL), reuniu, a 15 de janeiros, para apresentação do relatório final do Estudo de Avaliação de Impactos Ambientais, desenvolvido pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM), da Universidade de Aveiro e para avaliar as ações desenvolvidas e os passos futuros na sequência da ocorrência na Estação Elevatória B7 (EEB7) de Monte Real, em Leiria.
A Águas do Centro Litoral continua a implementar um conjunto de medidas técnicas e ambientais no âmbito do processo de recuperação do rio Lis, na sequência da descarga acidental ocorrida na estação elevatória de Monte Real.
Nesta reunião, o representante do CESAM apresentou o relatório final do Estudo de Avaliação de Impactos Ambientais decorrentes da descarga acidental no Rio Lis, contratado pela AdCL, que reiteram a conclusão do relatório preliminar, que confirma o impacto localizado e de curta duração, com sinais de recuperação das comunidades aquáticas e retoma gradual das condições ecológicas.
O estudo demonstrou, de forma clara, as pressões antropogénicas, de origem diversa a que rio Lis está sujeito. Este estudo, desenvolvido pelo Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro (CESAM-UA), permitiu uma análise aprofundada dos impactos ambientais do episódio e a definição de um conjunto de medidas de requalificação para a recuperação ecológica e a melhoria da gestão futura do sistema.
O relatório, agora, finalizado enquadra este evento num contexto mais amplo, caracterizado por pressões ambientais crónicas que afetam historicamente a bacia hidrográfica do rio Lis, nomeadamente de origem agrícola, pecuária, urbana e hidromorfológica.
No âmbito do trabalho foram realizadas duas campanhas de monitorização, em setembro e novembro de 2025, abrangendo nove (9) pontos ao longo do rio Lis e de valas hidroagrícolas adjacentes, a montante e a jusante do ponto de descarga do episódio ocorrido em agosto e das principais infraestruturas de tratamento. A avaliação integrou parâmetros físico-químicos, microbiológicos, ecotoxicológicos e biológicos, incluindo o estudo das comunidades de fitobentos e macroinvertebrados bentónicos.
Os resultados indicam que, apesar dos impactos agudos notados aquando da descarga acidental, a qualidade da água do rio Lis apresenta globalmente um estado ecológico classificado como “Razoável”, em linha com avaliações anteriores. Os principais fatores limitantes identificados estão relacionados com concentrações elevadas de nutrientes, nomeadamente azoto e fósforo, e com contaminação microbiológica persistente, refletindo pressões difusas e crónicas existentes na bacia. Não foram detetadas concentrações preocupantes de metais, pesticidas ou substâncias prioritárias, nem evidências de toxicidade significativa nos ensaios ecotoxicológicos realizados. A avaliação físico-química e microbiológica das massas de água teve por base a sua comparação com os valores de referência estabelecidos no Decreto-Lei n.º 236/98 para águas de rega e águas superficiais.
No enquadramento da avaliação segundo a Diretiva-Quadro da Água, e considerando quer os parâmetros físico-químicos de suporte, quer os parâmetros biológicos, todas as massas de água analisadas foram classificadas globalmente com um estado “Razoável”. Os principais fatores limitantes desta classificação são o excesso de nutrientes, em particular azoto e fósforo, e a baixa oxigenação observada em vários troços. Por sua vez, os poluentes específicos e as substâncias prioritárias não constituem um fator limitante do estado ecológico, uma vez que, de forma geral, se mantêm abaixo das Normas de Qualidade Ambiental estabelecidas.




Segundo o relatório, “a análise integrada dos resultados físico-químicos, microbiológicos, biológicos e ecotoxicológicos obtidos nas campanhas de setembro e novembro de 2025 demonstra que a ocorrência de agosto constituiu um evento agudo, localizado e de curta duração, cujos efeitos diretos não se evidenciam de forma persistente nos descritores avaliados nas campanhas subsequentes. A ausência de impactes químicos relevantes associados a poluentes específicos e substâncias prioritárias, bem como a estabilização geral de parâmetros físico-químicos clássicos, confirma que o sistema não apresenta sinais de contaminação química duradoura imputável a este episódio.
Contudo, os resultados obtidos evidenciam de forma inequívoca que o estado ambiental atual do rio Lis é fortemente condicionado por pressões crónicas pré-existentes, de origem difusa e pontual, com expressão variável ao longo do ano e agravamento sazonal evidente no período outonal. Entre estas pressões, destacam-se como fatores estruturais dominantes a contaminação microbiológica persistente, o enriquecimento generalizado em nutrientes (azoto e fósforo) e a ocorrência recorrente de situações de défice de oxigénio dissolvido, particularmente em novembro de 2025.”
Com base na análise efetuada, o relatório propõe, ainda, um conjunto integrado de medidas de mitigação e requalificação, incluindo a redução de pressões difusas e pontuais sobre a qualidade da água, a melhoria da eficiência e da redundância operacional das infraestruturas de drenagem e elevação, a requalificação hidromorfológica e ecológica do rio e a implementação de um plano de monitorização sequente. Estas ações visam reforçar a resiliência do sistema, prevenir a ocorrência de situações semelhantes no futuro e promover a recuperação gradual da qualidade ecológica do rio Lis.
Por outro lado, foram ainda apresentadas mais medidas concretizadas pela AdCL, nomeadamente, a entrada em funcionamento do sistema de desinfeção por ultravioletas bem como o arranque da empreitada de remodelação da fase sólida da ETAR do Coimbrão, assinaladas hoje. Dois investimentos, superiores a 2 milhões de euros, que representam um passo decisivo no reforço da resiliência e eficiência da ETAR do Coimbrão, enquanto infraestrutura ambiental essencial no vale do rio Lis.
Com estas ações, a Águas do Centro Litoral reafirma o seu compromisso em proteger o ambiente, garantir a segurança dos sistemas de saneamento e contribuir para a recuperação plena do ecossistema do Lis.
A Comissão de Acompanhamento continuará a monitorizar de forma próxima todas as ações em desenvolvimento, estando a próxima reunião agendada para o dia 26 de março de 2026, em local a definir.